Diástase e gestação: saiba os cuidados necessários
Apesar de se tratar de um termo não muito conhecido, a diástase é um conceito bastante importante quando falamos dos cuidados com a gestação e o papel da Fisioterapia Pélvica durante esse processo.
Isso porque a diástase é a separação da musculatura dos retos abdominais, que ocorre durante o período da gestação e permite o crescimento da barriga e do bebê. Ainda que seja um processo natural, a diástase possui um limite de separação considerado normal, de 3 centímetros. Caso este valor seja ultrapassado, é preciso um pouco mais de atenção.
Entendendo a musculatura
Antes de responder com mais detalhes o que é a diástase, é importante que entendamos a importância de nossa musculatura abdominal na manutenção da estabilidade da coluna. Para isso, vamos fazer um exercício de visualização:
Imagine que o nosso tronco é um grande cilindro, delimitado pelo: assoalho pélvico, na parte inferior; diafragma, na porção superior; abdômen, na parte anterior; e, posteriormente pela coluna e sua musculatura. Imagem abaixo
Na porção inferior do cilindro está localizado o assoalho pélvico, responsável pela sustentação dos órgãos pélvicos e estabilização da pelve. Além disso, atua como uma espécie de rede, que contribui para o bom funcionamento de mecanismos de continência urinária e anorretal. Caso você não saiba o que é o assoalho pélvico, confira nosso post detalhado sobre o assunto, clicando aqui.
Já na porção superior do cilindro temos o diafragma, principal músculo envolvido na respiração. Quando o ar é puxado para dentro, o diafragma empurra todos os órgãos abdominais para baixo, ao mesmo tempo em que empurra a barriga para a frente. Falamos do diafragma anteriormente neste post, clique aqui para saber mais.
Por fim, na parte anterior do cilindro, está a musculatura abdominal, da qual depende a estabilidade de nosso tronco. Esse conjunto de músculos faz o fechamento anterior do abdômen e contribui na sustentação dos órgãos abdominais. Uma falha nesse mecanismo, por exemplo, pode levar a quadros como o de herniação abdominal.
Assim, na falha de algum dos mecanismos que explicamos, o funcionamento de nosso cilindro fica alterado, o que pode levar a diferentes disfunções, como:
- Constipação
- Perda de urina
- Perda de gases e/ou fezes
- Dores na relação sexual
- Dificuldade para atingir o orgasmo
- Dores pélvicas
- Dores lombares
Então, o que a diástase pode provocar?
Nesse processo, como já explicamos, ocorre a separação dos retos abdominais, que são feixes musculares localizados na porção anterior de nosso cilindro. Para relembrar a localização de cada musculatura, consulte a imagem acima novamente.
Ao se separarem mais do que o normal, esses feixes fazem com que a região abdominal fique comprometida e, devido à sobrecarga, geram desconfortos nas regiões lombar e pélvica. O tratamento para a diástase, portanto, deve ser focado na melhora de todo o cilindro e não apenas da região abdominal.
Precisamos lembrar, é claro, que a diástase é um processo fisiológico, que também deve ser respeitado. No entanto, isso não quer dizer que devamos deixar de prestar atenção em casos de aumentos excessivos, que possam levar a quadros pouco funcionais durante a gestação.
Recomenda-se que algumas posturas sejam evitadas nesse período, pois propiciam o aumento da diástase e, por consequência, a sobrecarga na musculatura abdominal:
- Evite exercícios em 4 apoios (postura de gatas)
- Evite exercícios de ponte
- Evite exercícios de apoio no solo ou plano horizontal
- Evite exercícios de abdominais com enrolamento de tronco (supra, infra)
Os exercícios adequados devem focar na ativação da chamada musculatura transversa do abdômen, um potente estabilizador da coluna. Do mesmo modo, deve-se optar sempre por movimentos bilaterais, que mantenham a estabilidade do tronco. Os exercícios devem ser sempre realizados sob supervisão de profissionais qualificados, além de passar por uma avaliação rigorosa.
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